O Outono

O Outono é a estação do ano que prefiro. É um período que, do ponto de vista simbólico, associo ao tempo de fazer balanço. Sendo o Inverno uma espécie de morte da Natureza, é no Outono que os efeitos da tremenda sensualidade da Primavera e os excessos do tórrido Estio devem ser pesados e avaliados. É uma espécie de Idade Dourada do ano, e não é por acaso que as cores outonais são, neste nosso hemisfério, ouro e cobre, propícios à meditação interior. Vivemos todos um tempo caracterizado pela mais incrível das velocidades. em que não só a síntese da nossa contemporaneidade se torna quase impossível, como a possibilidade de nos fecharmos em nós mesmos e de nos vermos tal qual somos é raríssima. O Outono é uma espécie de instrumento que os "Deuses" colocaram à nossa humana disposição para que entremos na névoa íntima e densa da nossa própria consciência e nos deixemos levar numa espiral de reflexão, que nos prepara para a morte invernal e nos cria condições para um renascer purificado e enérgico na Primavera que se segue. Arranjarmos tempo, mesmo que tenhamos que lutar arduamente com esse mesmo tempo, para nos reposicionarmos perante nós próximos e perante os outros é uma necessidade vital. Meditarmos sobre o que efectivamente somos, sobre o que queremos que os outros achem de nós e - sobretudo - sobre o que queremos ser, não é um luxo, mas sim uma condição sine qua non para que possamos viver em verdade e em paz. Não há paz sem verdade nem verdade sem paz . Encontrando o concreto do nosso eu, aferidas com rigor todas as nossas fraquezas e forças, as nossas qualidades e defeitos, as nossas mínguas e os nossos excessos, definido com clareza o possível para as nossas circunstâncias, somos então capazes de olhar para a Vida sem qualquer dúvida sobre o nosso papel na mesma e caminhar com passos seguros em direcção ao amanhã.
Artigo de opinião de Mário Nuno Neves
publicado no Jornal Primeira Mão de 13 de Outubro de 2006
Mal se consegue ler...já sei.
ResponderEliminarAmanhã rearranjo. Desculpem.